Moradores de cinco bairros da zona norte de Marília, área com maior risco de transmissão de leishmaniose, poderão colocar em frente às casas materiais orgânicos como galhos, folhas, madeira e objetos sujeitos a apodrecer nos quintais e atrair o mosquito-palha, causador da doença.

 

Para ampliar a capacitação de agentes comunitários de saúde, veterinários da Divisão de Zoonoses ministraram um treinamento. Os vereadores Cícero do Ceasa e João do Bar participaram e irão colaborar para a mobilização da comunidade.

Os resíduos que serão recolhidos são aqueles que, em geral, não podem ser levados pela coleta do lixo residencial doméstico. É importante que os moradores usem sacos plásticos no caso das folhas, material apodrecido ou fezes.

Durante o mês de janeiro e fevereiro, o caminhão da campanha de combate à leishmaniose passará às segundas, quartas e sextas-feiras no Jardim Santa Antonieta e Renata; às terças-feiras no JK e às quintas no Alcides Matiuzzi e Jânio Quadros. O Jardim Renata será atendido após a conclusão no bairro vizinho.

Não serão recolhidos móveis e outros utensílios de uso doméstico não relacionados aos riscos para leishmaniose. Para esse tipo de material haverá mutirão específico durante o ano, com datas a serem divulgadas pela Prefeitura.

SOMOS TODOS AGENTES

Os ACSs (Agentes Comunitários de Saúde), ACEs (Agentes de Combate a Endemias), Supervisores de Saúde, junto com os veterinários, e demais colaboradores da Divisão de Zoonoses estarão envolvidos na chamada “ação tríade”.

 

A população em geral também precisa participar. Por isso o envolvimento de lideranças como os vereadores Cícero e João do Bar, que prestigiaram a capacitação e se comprometeram a ajudar na organização dos moradores.

São três frentes: educação em saúde junto à comunidade, manejo ambiental (limpeza) e inquérito canino, que consiste no exame dos cães da área e orientação aos moradores sobre os cuidados com os animais domésticos.

A veterinária Ticiana Donatti dos Reis, coordenadora da Divisão de Zoonoses, tem percorrido as unidades de saúde para municiar os agentes de saúde com informações. Ao lado do veterinário Lupércio Garrido Netto e demais integrantes da equipe, ela ministrou treinamento essa semana para os agentes do Santa Antonieta e Jardim Renata.

“Acreditamos que a ação tríade é capaz de desacelerar a transmissão e controlar a doença”, disse a veterinária. “Essa capacitação é de suma importância e será levada para outras unidades. Precisamos que, em termos de informação, a cidade toda tenha esse conhecimento. Nossos agentes são os multiplicadores”, completou Lupércio.

GALINHAS E CHIQUEIROS

A exemplo da guerra ao Aedes Aegypti, o combate ao flebótomo (mosquito-palha) exige mobilização social. Mas as semelhanças param por aí. O inseto que transmite a leishmaniose se reproduz em meio à matéria orgânica, como galhos, folhas secas, restos de madeira, frutas apodrecidas, fezes de animais e outros rejeitos em decomposição.

Por isso, é fundamental que a população vistorie os quintais e elimine os focos. Os agentes de saúde também orientarão sobre a proibição à criação de porcos e galinhas no perímetro urbano.

A prática é vedada pelo Código Sanitário Estadual, disposto pelo item I do artigo 14 da lei 10.083/98 e artigo 538 do Decreto 12.342/78, ambos válidos em todo território paulista. As criações propiciam ambientes favoráveis à proliferação do mosquito, oferecendo farta matéria orgânica para a fêmea botar os ovos e sangue para a alimentação do mosquito.

Além das galinhas, o mosquito-palha se alimenta do sangue dos cães, que acabam sendo reservatórios do parasita e adoecem. Por isso a importância de proteger os animais domésticos. A medida mais eficiente, conforme recomendação dos veterinários, é o uso de coleiras químicas adequadas que afastam os insetos.

Em 2017, foram registrados 14 casos positivos. Outros três ainda estão sob investigação. Não houve nenhum óbito pela doença, conforme dados da Vigilância Epidemiológica do município.

 

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