Ângela Hirata deixa a Presidência da Japan House São Paulo

A partir de hoje, quinta-feira (21), Ângela Hirata não é mais presidente da Japan House São Paulo. Seu lugar deve ser ocupado temporariamente pelo atual vice-presidente, Carlos Rosa, até que a Dentsu Inc. — empresa japonesa especializada em comunicação e publicidade e que administra o empreendimento no Brasil – escolha seu sucessor – ou sucessora. Ângela disse que pretende continuar indo “uma ou duas vezes” por semana como special adviser ou uma espécie de “conselheira especial”. A JHSP deve emitir um comunicado informando a decisão. “Mas no Nikkey Shimbun e Jornal Nippak fiz questão de falar pessoalmente”, disse Ângela Hirata, que esteve nesta quarta-feira, 20, na redação dos jornais em companhia do cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi.

Ao Nippak, Ângela disse que já não se sente “mais nenhuma mocinha”. “Tenho além da terceira idade. Se você parar para pensar, a JHSP não é uma empresa privada, é uma empresa do governo”, conta, lembrando que, quando entrou “teve que fazer ajustes de entendimento do que é o Brasil – do que o Brasil aceita e não aceita”.

“Isso acaba sendo muito estressante, não pelo governo mas acaba envolvendo muitas pessoas”, destacou, garantindo, porém, que “essa fase já passou, está tudo harmonizado”. “Tudo que era complicado está resolvido. Daqui para frente é só tocar”.

“Na verdade, estou na JHSP desde 2015 quando venci a licitação e desde então vim trabalhando para a sua construção, incluindo o conceito. Usei muito meu network e tive ajuda de muitas pessoas como o ex-cônsul Takahiro Nakamae. Hoje em dia tenho um relacionamento que eu não tinha antes, mas trabalhei loucamente por quase três anos”, explicou Ângela, lembrando que a previsão do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão era colocar 136 mil pessoas no primeiro ano de funcionamento. “

Consegui colocar quase 800 mil pessoas desde a inauguração”, disse Ângela, afirmando que veio amadurecendo a ideia de pedir demissão já há algum tempo.

“Com certeza perdi muitos sonos”, comentou. Segundo ela, a ideia é continuar contribuindo pelo menos até o final das comemorações dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, quando o país receberá a visita da princesa Mako e de vários governadores de províncias para a cerimônia oficial, marcada para o dia 21 de julho, na São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, concomitanemente ao 21º Festival do Japão.

“Vou dar total assistência mas não estarei presente todos os dias porque se não a pessoa que entrar no meu lugar não vai aprender a caminhar sozinha”, disse ela, afirmando que “o pessoal do Japão queria alguém que fosse igual a mim”. “Igual não existe. Mas seu continuar lá dentro essa pessoa não vai crescer”, explicou Ângela,
Para ela, o principal desafio do seu sucessor será buscar patrocinadores fortes. “Até agora eu conversava e conseguia”, diz Ângela, que acredita que a Japan House deva continuar por mais cinco anos.

O cônsul lembrou que a primeira fase terminou em março de 2019. “Agora, estamos no processo de solicitar orçamento ao Ministério da Fazenda. Até terminar este processo não sabemos de quanto será esse investimento, mas no campo político, sim, a Japan House vai continuar”, afirmou Noguchi. “Ainda não se sabe até quando”, ponderou.

“De qualquer forma já comecei a trabalhar a questão da autossustentabilidade. E aí tem que ser grandes empresas brasileiras”, destaca Ângela que assim vê seu sonho de trazer a companhia teatral Takarazuka um pouco mais distante.

FONTE : JORNAL NIPPAK

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