Em ruínas, a barragem de maior risco em Minas Gerais

A menos de dez minutos do centro da pequena Rio Acima, cidade de 10 mil habitantes na Grande Belo Horizonte, a barragem Mina Engenho foi dominada pelo mato e está abandonada. Inativa há sete anos, a mina de ouro – que pertencia à Mundo Mineração, do grupo australiano Mundo Minerals, hoje em estado falimentar – não emprega ninguém nem produz um real em royalties para o município. Deixou para trás, porém, uma herança perigosa: as barragens de maior risco de Minas Gerais, segundo avaliação da Agência Nacional de Mineração (ANM), órgão regulador do setor.

onários. Mas ao pedir o arresto de máquinas e equipamentos, descobriram que a maioria deles era alugada. “Só conseguimos captar recursos para pagar dois trabalhadores.”

A Mundo Mineração atuava em atividade de risco. A empresa australiana comprou uma mina cujo potencial primário de exploração já havia sido exaurido por outra empresa. Segundo Edwirges, a empresa comprou a área por preço baixo, em busca de ouro na “sucata”, pelo reprocessamento dos sedimentos acumulados nas barragens. É uma aposta difícil, já que o potencial de mineração é de, no máximo, 10% do total original.

Além do potencial de dano humano, Edwirges e os moradores veem potencial de contaminação do Rio das Velhas, afluente do São Francisco, e responsável por boa parte do abastecimento da Grande BH. Após as tragédias de Mariana e Brumadinho, a população de Rio Acima pensa cada vez mais nas barragens ao redor. “Não dá para confiar”, afirma Rayane Luana Marques, de 26 anos. Já Ivone Rebuitti, de 64 anos, diz que “se a gente parar para pensar, não consegue dormir”. “Depois de Brumadinho, ficamos com medo, diante de tanta tragédia, sofrimento. É ganância. Estamos nas mãos podres dos homens.”

Na Justiça

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente informou que o “empreendedor é responsável pela segurança da barragem”. Disse ainda que o Estado obteve na Justiça decisão contra a empresa, que não foi cumprida. Em 2017 e 2018, segundo a pasta, foram tomadas medidas emergenciais cabíveis. Uma licitação será contratada para fazer o descomissionamento da estrutura, o que inclui a retirada dos rejeitos. OEstado não localizou representantes da Mundo Mineração e procurou a advogada da empresa por telefone, mas não teve sucesso. A ANM também não foi encontrada pelo Estado.

FONTE : TERRA.COM.BR

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