Empresas decidem dar um basta ao desperdício de alimentos no Japão

Várias empresas estão intensificando esforços para reduzir o desperdício de alimentos no Japão, onde 6 milhões de toneladas de produtos comestíveis são descartados anualmente, tendo operadores de lojas de conveniência tomando medidas para resolver o problema. A notícia foi publicada pela Kyodo News. 

Os restaurantes e as residências, que são responsáveis por 66% dos alimentos descartados, estão respondendo lentamente a esta campanha para reduzir sobras de alimentos. Os primeiros, por exemplo, temem perder clientes caso sirvam porções menores. 

Os operadores de lojas de conveniência Seven-Eleven Japan Co. e Lawson Inc. disseram no final de semana que começarão a dar desconto na compra de “onigiri” (bolinho de arroz envolvido por folha de alga) e lanches que estão perto de expirar sua validade.

“A perda de alimentos é um grande problema tanto domesticamente quanto globalmente. Então as lojas de conveniência também precisam enfrentar esse problema”, disse Sadanobu Takemasu, presidente da Lawson, em entrevista coletiva. “Continuaremos a nos esforçar para vender nossos produtos alimentícios”.
Takemasu disse que cerca de 10 por cento das almôndegas e lanches da cadeia estão sendo descartadas como lixo.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, cerca de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçadas globalmente a cada ano, enquanto uma em cada nove pessoas no mundo, ou 815 milhões, são subnutridas. 

A superprodução de alimentos e a incineração de resíduos alimentares consomem energia e contribuem para as emissões de dióxido de carbono.

Em seus objetivos de desenvolvimento sustentável, a Organização das Nações Unidas (ONU) apela para reduzir pela metade o desperdício global de alimentos per capita nos níveis de varejo, e pede para o consumidor reduzir as perdas alimentares ao longo das cadeias produtivas e de fornecimento até 2030.

Neste contexto, os ministros da Agricultura do Grupo das 20 maiores economias, reunidos no início deste mês na cidade Niigata (província homônima), concordaram em assumir um papel de liderança na redução do desperdício de alimentos.

“A produtividade precisa aumentar e a distribuição precisa ser mais eficiente, incluindo a redução da perda de alimentos e desperdício, a fim de alcançar segurança alimentar e melhorar a nutrição para a crescente população mundial”, consta de uma declaração dos ministros após a reunião de dois dias em 12 de maio.

O governo japonês também tem tomado medidas para reduzir o desperdício de alimentos em meio à crescente conscientização global sobre o assunto, que está ligada ao aquecimento global e à pobreza.
Em janeiro, o Ministério da Agricultura e Pesca do Japão, pediu aos grupos industriais de lojas de conveniência e supermercados que não produzam sushis em excesso.

O pedido do ministério, o primeiro do gênero, veio depois que imagens de grandes quantidades de sushi descartados se tornaram virais nas mídias sociais, provocando polêmica.

“Reduzir a perda de alimentos significa menos desperdício de recursos naturais e também é importante do ponto de vista de aliviar os encargos das empresas e famílias”, disse o secretário-chefe do Gabinete, Yoshihide Suga, porta-voz do governo japonês, em uma entrevista coletiva no final de semana passado.

“Ministérios e agências relacionadas continuarão trabalhando em conjunto” para lidar com o desafio, disse ele.

Enquanto lojas de conveniência e supermercados tendem a ser culpados pela grande produção de resíduos, o setor de varejo descartou apenas cerca de 10% ou 660.000 toneladas do total de 6,43 milhões de toneladas no ano fiscal de 2016 até março de 2017, segundo dados do governo.

Enquanto isso, os setores de manufaturados e restaurantes relacionados a alimentos jogaram 1,37 milhão de toneladas e 1,33 milhão de toneladas, respectivamente. As famílias representam mais de 40% do total, com 2,91 milhões de toneladas.
Entre as empresas que estão tomando medidas para lidar com a questão do desperdício de alimentos está a Skylark Holdings Co., que oferece aos clientes um contêiner para levar sobras de comida.

O Prince Hotels Inc. introduziu pratos com nove partições em um restaurante estilo buffet que opera na cidade turística de Karuizawa (Nagano), como uma maneira de encorajar os clientes a comerem apenas o suficiente. 

Algumas autoridades locais, incluindo o governo da província de Saitama, chegaram a pedir aos organizadores de festas que encorajem as pessoas a terminarem toda a comida que pedem.

As operadoras de restaurantes continuam cautelosas ao afirmar que servir porções menores poderia ser uma opção para seus clientes. “Cabe ao cliente decidir se ele termina ou não sua refeição”, disse um funcionário do restaurante.

Quanto ao lixo doméstico, que o governo visa reduzir em 50% até o ano fiscal de 2030 em relação aos níveis do ano fiscal de 2000, os valores estão diminuindo nos últimos tempos. Isso provavelmente reflete a ênfase da cultura japonesa na preferência por alimentos frescos e na segurança dos produtos, e mostra que, no que diz respeito ao desperdício, o país ainda tem muito a fazer.

FONTE : ALTERNATIVA ON LINE

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