Especialistas japoneses alertam sobre aumento de infecções durante Olimpíada

Os principais especialistas médicos do Japão alertaram nesta sexta-feira (18) que realizar as Olimpíadas durante a pandemia de Covid-19 poderia aumentar as infecções e disseram que banir todos os espectadores é a opção menos arriscada, criando uma possível colisão com os organizadores.

O relatório, liderado pelo conselheiro de saúde Shigeru Omi, foi lançado depois que a chefe do comitê organizador dos Jogos disse ao jornal Sankei que queria permitir até 10.000 espectadores nos estádios durante o evento, que começa em 23 de julho.

O Japão está avançando com a realização dos Jogos de bilhões de dólares, apesar das preocupações com outro aumento nas infecções de Covid-19 e forte oposição do público, embora os organizadores tenham proibido os espectadores do exterior.

O cancelamento do evento – originalmente destinado a mostrar uma nação revitalizada após décadas de estagnação – custaria caro para os organizadores, o governo de Tóquio, patrocinadores e seguradoras.

“Este evento é diferente dos eventos esportivos comuns em escala e interesse social e porque se sobrepõe às férias de verão… há o risco de a movimentação de pessoas e as oportunidades de interação durante as Olimpíadas espalharem infecções e sobrecarregarem o sistema médico”, disseram os especialistas. “Realizar os Jogos sem espectadores é a opção menos arriscada.”

A decisão final sobre os espectadores locais será feita em uma reunião a ser realizada na segunda-feira (21) entre os organizadores de Tóquio 2020, o Comitê Olímpico Internacional, o Comitê Paralímpico Internacional, o governo japonês e o governo metropolitano de Tóquio.

“Eu gostaria que fosse realizado com espectadores. Eu planejo ir para a reunião de cinco participantes com isso em mente”, disse o jornal Sankei citando a chefe da Olimpíada, Seiko Hashimoto, em uma entrevista publicada na noite de quinta-feira.

Hashimoto disse que o conselho de Omi servirá de base para as conversas entre o COI e outros participantes da reunião.

“NÃO É NORMAL”
O governo do primeiro-ministro Yoshihide Suga decidiu na quinta-feira diminuir as restrições de emergência ao coronavírus em nove províncias, incluindo Tóquio, mantendo algumas restrições “quase emergenciais”.

Os especialistas de Omi concordaram no início desta semana que o número de espectadores em eventos domésticos poderia ser aumentado para 10.000, mas apenas em áreas onde medidas “quase emergenciais”, incluindo limitar o horário de restaurantes, foram suspensas.

Tóquio está programada para ficar sob restrições até 11 de julho, após o estado de emergência – o terceiro desde abril do ano passado – expirar para a capital em 20 de junho.

A suspenção das emergências anteriores foi seguido por novos aumentos de infecções e tensões nos hospitais.

O relatório dos especialistas disse que os organizadores devem estar preparados para agir rapidamente para banir os espectadores ou declarar outro estado de emergência, se necessário. Também recomendou que se os espectadores fossem permitidos, as restrições deveriam ser severas, incluindo limitá-los aos residentes da área local.

Omi, um ex-funcionário da Organização Mundial da Saúde, tem se tornado cada vez mais franco sobre os riscos de o evento espalhar o vírus. No início deste mês, ele disse ao Parlamento que “não era normal” realizar os Jogos durante uma pandemia.

Hiroshi Nishiura, professor da Universidade de Quioto e consultor de epidemiologia sobre a resposta do governo à pandemia, disse acreditar que seria melhor cancelar os Jogos, mas essa decisão cabia ao governo e aos organizadores.

“Se a situação da epidemia se agravar, não se deve discutir a ausência de espectadores e o cancelamento dos Jogos no meio (do evento)”, disse ele à Reuters.

O público japonês continua preocupado com os riscos à saúde. Uma pesquisa da emissora NHK neste mês mostrou que 32% são a favor de um limite de espectadores, 29% não querem espectadores e 31% querem que os Jogos sejam cancelados.

Apenas 15% da população no Japão recebeu pelo menos uma dose da vacina contra Covid-19.

FONTE:ALTERNATIVA ON LINE

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