Ibovespa Futuro cai com recorde em infecções por coronavírus nos EUA e alta dos casos na Europa

O Ibovespa Futuro abre em queda nesta segunda-feira (26) pressionado pelo desempenho negativo das bolsas internacionais após os Estados Unidos registrarem recorde no número de novos casos de coronavírus em um único dia.

Na sexta-feira (23) e no sábado (24) os EUA tiveram mais de 83 mil novas infecções, ultrapassando o recorde anterior, registrado em  julho, quando o país teve 77.300 contágios em um só dia.

Há pouco entusiasmo quanto à aprovação de um novo pacote de estímulos para lidar com a crise causada pela pandemia nos Estados Unidos.

Além disso a produtora alemã de softwares corporativos SAP revisou para baixo as projeções sobre seus resultados para os próximos anos, impactando as bolsas na Europa, especialmente nas Alemanha.

Os investidores também monitoram o aumento das restrições na Europa com a alta dos casos de coronavírus por lá.

A partir desta segunda, a Itália fechará cinemas e academias. Bares e restaurantes fecham a partir das 18h. A Espanha está iniciando um toque de recolher às 23h.

Na semana passada, a França já havia ampliado um toque de recolher no país, e Londres voltara a restringir encontros entre pessoas que não vivem na mesma residência, entre outras medidas.

No Brasil, a maioria dos empresários tem otimismo quanto à melhora da economia. Porém pouco mais da metade cita desconfiança quanto à política econômica do governo como um fator que traz perspectivas negativas. Do lado dos consumidores, a maioria diz que está adiando compras devido a temores quanto à economia, especialmente por causa do coronavírus.

Às 09h11 (horário de Brasília), o índice futuro para dezembro tinha queda de 0,77%, aos 100.860 pontos.

O dólar futuro com vencimento em novembro registrava alta de 0,55%, a R$ 5,654.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe quatro pontos-base a 3,47%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de três pontos-base a 4,90%, o DI para janeiro de 2025 avança dois pontos-base a 6,62% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de um ponto-base a 7,46%.

Por aqui, o noticiário político continua marcado pela disputa em torno da vacinação contra o coronavírus. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) diz que a vacinação não será obrigatória, enquanto o governador João Doria (PSDB) afirma que ela será obrigatória em São Paulo.

Já há ações no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que o modelo de vacinação fique a critério dos governos estaduais, e pressionando para que o governo federal compre vacinas da chinesa Sinovac, como anunciado na terça-feira pelo ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que foi desautorizado pelo presidente.

Entre os indicadores, os economistas do mercado financeiro projetam uma queda menor do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, mostrou o Relatório Focus do Banco Central. A expectativa mediana foi de um recuo de 5% na semana passada para uma retração de 4,81% agora.

Para 2021, a projeção mediana foi reduzida de um crescimento de 3,47% para uma expansão de 3,42%.

Já em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) as estimativas subiram de 2,65% para 2,99% em 2020. Para 2021 a previsão do IPCA subiu de 3,02% para 3,10%.

Sobre o dólar a projeção também foi elevada e agora os economistas esperam que a moeda encerre o ano cotada a R$ 5,40, acima dos R$ 5,35 previstos na semana passada. Para 2021 a expectativa é de que o dólar feche o ano em R$ 5,20, ante R$ 5,10 projetados na semana anterior.

Por fim, a expectativa para a taxa básica de juros, Selic, manteve-se em 2,00% ao ano para 2020, mas foi elevada de 2,50% para 2,75% ao ano para 2021.

Índices de confiança

Sondagem do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) FGV publicada no domingo na Folha de S. Paulo indica que 67,8% dos empresários brasileiros espera que o ambiente de negócios melhore no Brasil.

Quando questionados sobre fatores que influenciam positivamente as expectativas, o destaque é para a perspectiva de melhora da economia mundial, citada por 56,1% das pessoas questionadas. Além disso, 51,6% citam a consolidação da recuperação em seu setor como um fator positivo.

Quanto aos fatores que influenciam negativamente as expectativas, 70,8% citam incerteza econômica; 64,9% incerteza em relação à pandemia; e 52,1% falta de confiança na política econômica do governo e 42,1% as perspectivas negativas para a economia mundial.

Apenas 27,1% citam o fim de auxílios emergenciais aos consumidores como um fator negativo, e outros 23,9% citam o fim de programas emergenciais às empresas. O consumo de bens voltou em julho ao nível anterior ao da pandemia. Em agosto, estava em 0,8% acima do nível de fevereiro. O indicador é impulsionado pelo auxílio emergencial.

O governo e o Congresso vêm estudando formas de criar um programa substituto ao auxílio emergencial e ao Bolsa Família, sem, no entanto, estourar o teto de gastos.

As negociações em torno deste objetivo têm sido acompanhadas por investidores, à medida que o aumento de gastos fora do teto poderia impactar negativamente a imagem das contas públicas e as expectativas sobre a economia brasileira.

Além disso, sondagem feita pelo Ibre, da FGV, e divulgada na segunda-feira mostra desconfiança do lado dos consumidores, dentre os quais 58% afirmaram que têm adiado compras de bens e serviços. A principal justificativa, em 53% dos casos, é a incerteza quanto à pandemia de covid.

Já no noticiário político, o Estadão destaca que o Centrão chega ao Senado e faz articulação pró-governo. A formação do grupo – que só existia na Câmara – envolve negociações para a reeleição do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e distribuição de cargos e verbas na gestão Bolsonaro.

A Casa também prepara a retomada da pauta econômica antes das eleições municipais. Votação prevista para o próximo dia 3 de novembro de dois projetos para blindar o BC, com autonomia e criação dos depósitos voluntários; no dia 4, está prevista a votação de vetos presidenciais à lei de saneamento e prorrogação por um ano da desoneração da folha de pagamento das empresas, e de projetos de remanejamento de recursos entre ministérios.

Vacinação no Brasil

O noticiário continua marcado pela disputa em torno da vacinação contra o coronavírus.

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro desautorizou a fala do ministro da Saúde Eduardo Pazuello segundo a qual o governo federal compraria 46 milhões da vacina da chinesa Sinovac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, ligado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

O estado é governado por João Doria, potencial opositor de Jair Bolsonaro nas próximas eleições presidenciais.

Os dois políticos também disputam abertamente o modelo de vacinação a ser seguido. Doria diz que a vacina será obrigatória em São Paulo, enquanto Bolsonaro afirma que seu governo não instituirá a obrigatoriedade da vacina.

Na sexta-feira, o presidente do Supremo, Luiz Fux, afirmou que deve haver uma “judicialização” dos critérios para vacinação. Ele disse avaliar que o Supremo Tribunal Federal será chamado a decidir sobre o assunto.

O PDT pediu que o Supremo conceda autonomia para que os governos estaduais decidam se a vacina é ou não obrigatória em seus territórios.

E a Rede Sustentabilidade ingressou com ação, pedindo que o governo Bolsonaro assine protocolo de intenções para comprar 46 milhões de doses da CoronaVac, a vacina da Sinovac a ser produzida no Instituto Butantan.

Essa discussão pode ter impacto direto sobre o ritmo de imunização da população brasileira. Estudo feito pelo Centro de Pesquisa em Comunicação Política e Saúde Pública, da Unb (Universidade de Brasília), a partir com 2.771 pessoas indicou que 78,1% se mostraram favoráveis a receberem algum tipo de imunização.

Mas, quando são informados que a vacina viria da China, o interesse cai em 16,4%, segundo informações reproduzidas pela Folha de S. Paulo. Quando são informados de que a vacina seria russa, a intenção de se vacinar cai 14,1%.

Na sexta-feira, a farmacêutica União Química informou que assinou um acordo com o Fundo Russo de Investimento Direto para produzir a vacina russa Sputnik V contra Covid-19, a partir da segunda quinzena de novembro. O laboratório ainda precisa de autorização da Anvisa.

Segundo informações publicadas nesta segunda-feira pelo jornal britânico Financial Times, a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em colaboração com a AstraZeneca, gera uma resposta de imunização robusta entre idosos, de acordo com os resultados de testes clínicos ainda não divulgados. Esta é uma das principais vacinas previstas pelo governo federal para o Brasil.

Radar corporativo

Na sexta-feira (23) à noite, o Cade aprovou a venda da Biopalma, da Vale, para a BBF. Mas o negócio é contestado na Justiça pela Marborges Agroindústria, que está interessada na Biopalma, e afirma que teria ocorrido “falta de transparência e tratamento isonômico” no negócio. Também na sexta, unidades de BRF e Marfrig tiveram autorização para voltar a exportar para a China.

Na sexta, a empreiteira Método Engenharia pediu aval para realizar uma oferta pública inicial de ações.

Na sexta-feira, a farmacêutica União Química informou que assinou um acordo com o Fundo Russo de Investimento Direto para produzir a vacina russa Sputnik V contra Covid-19, a partir da segunda quinzena de novembro. O laboratório ainda precisa de autorização da Anvisa.

No sábado, o Ministério Público Federal acusou BHP e Vale de conluio para reduzir pagamentos a vítimas do rompimento de barragem da joint venture Samarco, em Mariana, em 2015. Em nota publicada na segunda, o Morgan Stanley encarou o pedido como um sinal de que há alguma “deterioração no trato dos promotores com a Vale”, o que pode atrasar um acordo final.

A Hypera divulgou resultado na sexta à noite, com seu lucro de julho a setembro somando R$ 345,6 milhões, alta de 29,4% sobre mesma etapa de 2019. O Credit Suisse recomendou na manhã de segunda as ações da Hypera Pharma como outperform (perspectiva de ganhos acima da média dos mercados).

Na segunda, a Research XP reiniciou a cobertura da Ambev, com recomendação de compra.

FONTE : INFOMONEY

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