Ídolo de Pelé, Zizinho defendeu o São Bento de Marília em 1959

Pouca gente sabe, mas Zizinho (mestre Ziza), um dos grandes craques do futebol mundial vestiu a camisa da extinta Associação Atlética São Bento de Marília, em 1959. Neste período de coronavírus, o Jornal da Manhã traz a matéria publicada em 2010, sobre o atleta que foi o ídolo de Pelé e que teve uma rápida passagem pela cidade, já perto do fim da carreira.

Em 1959, o São Bento voltava a ser profissional depois de quase uma década inativo (o Marília Atlético Clube representou o município de 1953 a 1958). O presidente era Álvaro Paiva e o vice era Thomaz Alcalde. O clube disputaria o Campeonato Paulista da 2ª Divisão e a diretoria contratou o ex-volante da Seleção Brasileira, na Copa do Mundo de 1950, Danilo Alvim, para ser o técnico.

O treinador trouxe cerca de dez jogadores do futebol carioca, entre eles Zizinho, que só chegou a partir da 4ª rodada. Mestre Ziza veio para o São Bento já no fim da carreira, com 38 anos. Sua chegada aconteceu no dia 9 de maio e no dia seguinte ele assinou contrato.

“Ele só veio para Marília porque os dirigentes do São Bento tinham contato com o Laudo Natel (presidente do São Paulo), que já havia trabalhado no banco Bradesco em Marília. Na época, o Zizinho estava brigado com o São Paulo e o clube não aceitou emprestá-lo para ninguém”, comentou o já falecido técnico do Tricolor e do MAC, Antônio Maria Pupo Gimenes, em entrevista à reportagem em 2010.

Gimenez também lembra que um dos motivos para a vinda do mestre Ziza era o técnico Danilo Alvim. “Naquela época o Zizinho havia acabado de se separar da mulher e o Danilo, que era seu compadre, o chamou para trabalhar com ele. Os dois estiveram juntos na Copa do Mundo de 1950”, ressaltou.

Estreia – Zizinho estreou com a camisa do São Bento no dia 14 de maio de 1959, no empate em 2 a 2 contra o Botucatuense, em Botucatu. O craque da Seleção Brasileira não fez gol, mas deu a assistência, que resultou no gol de Ceninho. No jogo seguinte, diante da Ferroviária/Botucatu, também fora de casa, o time mariliense empatou em 1 a 1 e o mestre Ziza anotou de pênalti.

“Era uma pessoa muito humilde. Infelizmente sua vinda a Marília aconteceu no final da carreira. Ele não se movimentava muito, mas a qualidade técnica era a mesma. Seus passes eram precisos”, declarou o centroavante Alcides José dos Santos, conhecido como ‘Cid’, com quem jogou junto no São Bento, em entrevista em 2010.

Em 2010, o colunista do JM, Rubens Coca Ramos, também lembrou com saudosismo da época. “Para mim ele foi melhor que o Pelé. Era mais técnico. Já o Pelé foi um grande artilheiro. Mesmo no final da carreira, a diferença técnico do Zizinho era inigualável. Não precisava correr até a bola, ela vinha até ele”, frisou.

Pupo Gimenes trabalhava na rede de lojas Mesbla em 1959 e disse que faltava no serviço para ver Zizinho treinar. “Toda quinta-feira depois do almoço eu ‘ficava’ doente, pois era dia de coletivo, que na época era a mesma coisa de um jogo. A disputa pela titularidade era bem acirrada. As arquibancadas não eram como as de hoje. A capacidade era bem menor. Por isso, as árvores ao redor do estádio ficavam cheias de gente só para vê-lo”, mencionou.

Fim da ‘lua de mel’ – No dia 12 de junho, na vitória do São Bento sobre o Tupã (2 a 0), no Estádio Bento de Abreu, Zizinho marcou um dos gols. “Lembro desse gol. Foi um lindo voleio”, citou Pupo Gimenes. Porém a ‘lua de mel’ com a torcida foi se desgastando, pois o craque começou a ter atuações apagadas nos jogos.

No duelo contra o Osvaldo Cruz, no Abreuzão, no dia 16 de junho, a paciência acabou. O São Bento vencia por 1 a 0 e ainda no primeiro tempo o clube teve um pênalti a seu favor. Zizinho cobrou e o goleiro defendeu. “Ele bateu fraco a meia altura, no canto esquerdo do goleiro. A torcida não o perdoou e começou a vaiá-lo”, lembrou Rubens Coca. O adversário ainda conseguiu o empate (1 a 1).

“O Zizinho ficou mais de um ano parado, antes de vir para o São Bento. Depois de ter conquistado o título paulista pelo São Paulo em 1957, ele brigou com a diretoria e como tinha contrato, não podia jogar por outro clube. Nesse período, ficou em Niterói-RJ só tomando cerveja na praia. Era impossível achar que ele resolveria todos os problemas do time”, lembrou Gimenez.

A gota d’água para Zizinho foi a demissão do técnico Danilo Alvim. O jogador foi embora para o Rio de Janeiro com o treinador. O jornal Correio de Marília anunciou que ele havia se transferido para o Juventus, mas após vestir da camisa do São Bento, o mestre Ziza foi para o Audax Italiano (Chile), onde encerrou sua carreira, três anos depois.

Zizinho ficou pouco mais de dois meses em Marília (10 de maio a 30 de julho), fez 11 jogos com a camisa do alvi-rubro e marcou três gols. Em seu livro (Mestre Ziza – Verdades e Mentiras no Futebol), ele não menciona a passagem que teve pelo São Bento. “Ele tinha raiva da cidade por ter sido vaiado”, comentou Rubens Coca Ramos. “Talvez a demissão do Danilo Alvim o tenha deixado chateado”, achou Pupo Gimenes.

Carreira – Thomaz Soares da Silva (Zizinho) começou a carreira de jogador no Flamengo em 1939, onde jogou até 1950. Após a Copa do Mundo, se transferiu para o Bangu-RJ e ficou até 1957, quando acertou com o São Paulo. Depois de ter atuado pelo São Bento de Marília em 59, encerrou a carreira no Audax Italiano-CHI, em 62. Mestre Ziza era o ídolo de Pelé.

Apesar do vice do Brasil na Copa do Mundo de 1950, ele foi eleito o melhor jogador da competição. Zizinho conquistou quatro títulos cariocas, um paulista e um Sul-Americano pela Seleção Brasileira. Sua morte aconteceu no dia 8 de fevereiro de 2002, vítima de problemas do coração. “O Estádio Bento de Abreu tinha que ter uma placa na entrada dizendo: Aqui jogou Thomaz Soares da Silva, o Zizinho”, finalizou Pupo Gimenez.

FONTE : JORNAL DA MANHÃ

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