Já ouviu falar nas PANC: Plantas Alimentícias Não Convencionais?

Muricato, maracujá-do-mato, espinafre malabar e ora-pro-nóbis são apenas alguns exemplos das chamadas Plantas Alimentícias Não Convencionais, ou simplesmente PANC. O nome pode parecer estranho à primeira vista, mas esses alimentos nada mais são que plantas comestíveis que surgem de forma espontânea pelo Brasil afora.

Criado pelo biólogo Valdely Kinupp, o termo PANC vem sendo cada vez mais utilizado e hoje já são mais de 10 mil espécies identificadas no país. A maioria delas está descrita no livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC).

“Alimentos padronizados pelo mercado, como tomate, alface e pimentão, apesar de comuns, são normalmente menos nutritivos que as PANC. Quem experimenta PANC experimenta novos sabores, ganha novos valores nutricionais e ainda varia o cardápio do dia a dia. Continue comendo seu tomate , alface, pimentão… Mas combine eles com uma beldroega, um ora-pro-nóbis e uma capuchinha. Viva e coma a diversidade!”, comenta Vinicius Pereira, analista de conservação do WWF-Brasil.

Assim, além de serem uma ótima fonte de nutrientes, as PANC são uma forma de cada consumidor reduzir o impacto que sua alimentação tem no meio ambiente, já que o consumo das PANC (sejam elas compradas na feira, cultivadas em casa ou adquiridas por meio de CSAs) também é uma boa forma de contribuir para sistemas alimentares mais sustentáveis, já que normalmente elas são sazonais e regionais.

Junto com parceiros locais, o WWF-Brasil vem incentivando o uso de PANC em seus trabalhos de campo. Um exemplo disso são as CSAs – Comunidades que Sustentam a Agricultura criadas no Distrito Federal e em Minas Gerais nos últimos anos por meio do Programa Água Brasil, parceria do WWF-Brasil com o Banco do Brasil, a Agência Nacional de Águas e a Fundação Banco do Brasil.

Tânia Aguiar, da CSA Paulo Freire, na bacia do Descoberto (DF), concorda e ainda acrescenta: “As PANC são extremamente importantes para a manutenção do solo, porque são ricas em vitaminas, sais minerais e fibras, além de super resistentes a pragas e doenças”.

Na CSA de Tânia são cultivados ora-pro-nóbis, azedinha, muricato, major Gomes, taioba, cúrcuma, inhame, capuchinhas, almeirão de árvore cará e vinagreira. “Apesar de ainda ser uma novidade para as pessoas, as PANC estão sendo bem aceitas e bastante consumidas” comemora.

Mas é necessário cuidado! Comer PANC não significa sair colhendo toda plantinha que surgir no caminho. É importante ler bastante a respeito e ter certeza das características do alimento para a saúde antes de ingerir.

Também conhecido como lambari-da-horta, o peixinho ganhou esse nome por causa do formato das folhas. É uma planta tipicamente usada para fazer chás, mas que também pode ser empanada, servida como aperitivo. Vai bem em climas secos e é facilmente identificada pela folha, cheia de pelos.
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Capuchinha

Além de ornamentais, as flores da capuchinha são comestíveis. Podem ser amarelas, vermelhas ou laranjas e são bastante nutritivas. O sabor remete ao agrião e suas folhas também são comestíveis.

Ora-pro-nóbis

Conhecido por seu alto teor proteico, o ora-pro-nóbis já uma planta convencional em Minas Gerais, onde é muito consumida em receitas típicas da região. Suas folhas são gostosas, nutritivas e fartas. Os brotos e o fruto também são comestíveis.

Muricato

Parente do tomate e da berinjela, o muricato é uma hortaliça-fruto. Surgiu na região andina, e hoje vive bem adaptado às condições ambientais brasileiras. Seus frutos são alongados como um tomate e apresentam sabor levemente adocicado, semelhante ao do melão, por conta do teor de açúcar de até 12%.

© Rayssa Coe / WWF-BrasilEnlarge

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FONTE : WWF BRASIL

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