Mandetta confronta Bolsonaro em entrevista à Globo

Também nesse caso Mandetta divergiu de Bolsonaro. Segundo ele, o pico da doença deve acontecer em maio e junho. “Em fevereiro, quando fizemos simulações com outros países, fazendo adequações para o nosso clima, mais ou menos sabíamos que chegaria a primeira quinzena de abril com esses números. Desde as primeiras projeções sabíamos que a segunda quinzena de abril e maio e junho seriam de maior estresse para o nosso sistema de saúde. Nós estamos agora vivendo o que dissemos há duas semanas atrás. Se começar novamente a movimentação nós vamos voltar ao início. A gente imagina que maio e junho serão os 60 dias mais duros para as cidades. Não se pode comparar com Espanha, Grécia, Itália. Somos o próprio continente.”

O ministro também admitiu que há grande subnotificação de casos no Brasil, já que o número de testes é limitado. “Se não fizermos absolutamente nada e tivermos como se nada tivesse acontecendo, se a gente falar vamos todos trabalhar, deixar só quem tem mais de 60 anos em casa, como o país vai lidar com isso?”, questionou. “O problema é que a gente tem hoje um mercado concentrado e aquecido que não tem teste suficiente para o planeta. Se a gente se comprometer a testar todos os brasileiros, não seria correto frente ao mercado que a gente vê. O planeta inteiro quer o mesmo produto”, ressaltou.

Mandetta fez críticas a filas em padarias e mercados – na quinta, Bolsonaro foi a uma padaria em Brasília e cumprimentou e abraçou funcionários e clientes – e demonstrou preocupação com o relaxamento do isolamento. O presidente voltou a sair na sexta e no sábado. Nos dois primeiros dias foi alvo também de protestos.

“Acho que é um conjunto, somatória. Vê na internet fake news que isso é uma invenção de países para ganharem vantagem econômica. Outras pessoas porque existe um complô mundial contra elas, como se tivesse alguma solução com passe de mágica e que não precisasse que ninguém fizesse sacrifício. Quando você vê as pessoas entrando em padaria, entrando em supermercado, fazendo filas uma atrás da outra, encostadas, grudadas, pessoas fazendo piquenique em parque, isso é claramente uma coisa equivocada.”

Anfitrião de Mandetta, Caiado foi responsável pela indicação do ex-deputado do DEM para o ministério. O governador goiano já disse que, se Mandetta deixar Brasília, o chamará para ser seu secretário estadual de Saúde. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), deu declaração semelhante.

FONTE : CONGRESSO EM FOCO (UOL)

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