NA ACC, PRÁTICAS INTEGRATIVAS REDUZIRAM DOR EM 100% DOS PACIENTES.

Por Célia Ribeiro

Com 29 procedimentos reconhecidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde), as Práticas Integrativas e Complementares já comprovaram, cientificamente, os benefícios no tratamento e na prevenção de doenças. Em Marília, sem qualquer ajuda oficial, a Associação de Combate ao Câncer (ACC) disponibiliza o acesso gratuito aos pacientes que registram evolução no quadro geral da saúde e, principalmente, na redução da dor.

Pesquisa realizada pela entidade, através da psicóloga Anelise Bárbara Zóia e da farmacêutica voluntária Priscila Ramos de Oliveira, mostrou que em 100 por cento dos casos houve redução da dor após o atendimento no Ambulatório de Práticas Integrativas. Foram acompanhados 27 pacientes durante 15 dias.

Segundo a psicóloga, a ideia surgiu “devido à necessidade de avaliarmos se as práticas estavam surtindo efeito nos pacientes, se estavam trazendo algum benefício para os pacientes que estão em tratamento contra o câncer”. Antes e após passarem pelos procedimentos, os pacientes indicaram o nível de dor medido pela EVA (Escala Visual e Analógica), conhecida internacionalmente.

Psicóloga Anelise 

A totalidade dos pacientes estudados apresentou alívio da dor: “Foi uma surpresa bem positiva. Já tínhamos expectativas que tais práticas proporcionariam uma qualidade a esse paciente durante seu tratamento, como alívio da tensão, diminuição da ansiedade, redução do estresse, que são efeitos já comprovados cientificamente que essas práticas proporcionam. A redução da dor foi surpresa positiva em todos os casos, alguns de forma significativa”, afirmou Anelise Zóia.

Massoterapia, Reiki, Florais, Auriculoterapia, Acupuntura, Escalda-pés, Reflexologia, Aromaterapia, Ventosa terapia e várias outras práticas são disponibilizadas por quatro terapeutas que atendem às segundas, quartas e sextas-feiras no período da manhã na ACC. O ambulatório foi inaugurado em outubro de 2019 graças a um projeto patrocinado pelo Instituto Cooperforte que financiou um curso para 30 alunos, durante nove meses, e que formou 28 terapeutas.

Maria Antonia, presidente

De acordo com a presidente da ACC, Maria Antônia Antonelle, “o objetivo é que a rede pública tenha essas práticas. Mas, por enquanto, o que a gente vê não só em Marília, mas no Brasil, é muito pouco. Em Marília, parece que tem uma UPA com acupuntura. Nós estamos ofertando as práticas desde o dia 2 de outubro, antes de terminar o curso. Junto com o curso vieram macas, carrinhos, mochos, e a ACC foi aportando outras coisas junto com parceiros para montar o ambulatório”.

A presidente da entidade lembrou que as práticas integrativas são milenares: “É novo aqui no ocidente, no oriente é milenar. O que precisamos é contar com a adesão dos médicos. Estamos fazendo um trabalho para chamar os médicos para conhecerem as práticas. Há uma resistência e hoje tudo é remédio. As práticas trazem menos gente doente, menos faltas ao trabalho, o paciente melhora mais rápido e pode voltar à sua rotina de vida normal, é menos remédio e menos gasto para o poder público”, frisou.

SEM APOIO

Ela informou que “nós temos um contrato de gratuidade com o SUS, mas não nos repassa nada. E os nossos pacientes são a grande maioria, senão a totalidade, de usuários do SUS.” A presidente da ACC lamentou a falta de apoio oficial: “Sinto que não há interesse da Secretaria da Saúde de Marília em nos ajudar. Eu fiz várias reuniões com o secretário e com o prefeito também. Só nos foram prometidas coisas, mas nada foi feito. Temos uma subvenção, de dez anos atrás, que a prefeitura doa por mês de 3,6 mil reais”.

Curso de formação de terapeutas na ACC

Ela prosseguiu afirmando que “houve uma promessa do prefeito Daniel Alonso de que ele iria aumentar a subvenção. Vim aqui toda feliz comunicar à diretoria que ele iria aumentar e não houve aumento de nenhum centavo na subvenção”. Para arcar com os custos de manutenção, que giram entre 60 e 70 mil reais por mês, a entidade conta com a comunidade, através da doação da Nota Fiscal Paulista, eventos de geração de renda (pizzas, bingos, bazares) e projetos junto a empresas.

Em nota, a Diretoria de Comunicação da Prefeitura de Marília respondeu: “Devido a agendas particulares, o Prefeito Daniel Alonso e o Secretário da Saúde Ricardo Mustafá não puderam estar presentes na inauguração, porém estão disponíveis para qualquer tipo de suporte que o ambulatório precisar.  O Município tem todo o interesse de apoiar qualquer atividade e prática que traga benefícios à população”.

Sr. José Maria

ADOTE UM TERAPEUTA

Com uma média de 15 a 20 atendimentos por dia, existe fila de espera no Ambulatório da ACC, o que poderia ser resolvido se houvesse mais profissionais contratados. Por isso, a instituição lançou um novo projeto que visa obter apoio junto à iniciativa privada e à sociedade em geral para ampliar o quadro de terapeutas.

“As práticas integrativas, além de tratar os pacientes, elas atuam na melhoria da qualidade de vida deles e na prevenção da saúde de quem não está doente. Cuida de quem cuida porque o cuidador, com o tempo, acaba adoecendo”, assinalou Maria Antonia. Conforme disse, a proposta foi enviada a grandes indústrias de Marília, além de parlamentares, mas sem resposta.

Enquanto isso, os pacientes em tratamento oncológico assistidos pela ACC experimentam melhoria após as sessões no Ambulatório. Um exemplo é o porteiro José Maria da Silva que elogiou a iniciativa. Ele contou que além do bem estar durante o tratamento contra um câncer de próstata, também está sentindo melhora na recuperação de um acidente em que teve uma lesão vertebral.

Por sua vez, Laura Rossi de Godoy, de 69 anos, contou que foi encaminhada pelo médico para a ACC: “Lembro que cheguei com dor de cabeça meio forte e saí daqui 80 por cento melhor. A gente percebe, principalmente, a atenção dos terapeutas, sente que aplicam as técnicas com muito carinho e isso é um fator importante”, assinalou.

Aula prática de Reiki

O terapeuta Rodrigo Hanaoka formou-se no Curso da ACC e agora integra a equipe: “Os pacientes passam pela assistente social que vê o caso e encaminha para as práticas integrativas. Quem pode, já recebe esse conforto. Quem não consegue ser atendido na parte superior do prédio, por causa da mobilidade porque não consegue subir as escadas, a gente desce e atende na parte de baixo. São de 15 a 20 atendimentos às segundas, quartas e sextas-feiras no período da manhã”.
Para saber mais e contribuir com a entidade, a ACC localiza-se à Rua Marrey Junior, 101, Bairro Fragata (ao lado do Fórum). Telefone (14) 34545660. Saiba mais em: accmarilia.org.br

Fonte: Reportagem publicada na edição de 09.02.2020 do Jornal da Manhã

(eliza@conexaomarilia.com.br – (14) 99793-0498)

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