Nova aposta do SoftBank está em digitalizar a contabilidade, com investimento na Contabilizei

O Brasil tem mais de 70 mil empresas de contabilidade – mas uma delas atraiu o conglomerado japonês de telecomunicações SoftBank, dono do maior fundo de capital de risco (venture capital) do mundo.

Contabilizei, escritório de contabilidade online que atende 30 mil micro e pequenas empresas, anunciou ter captado uma rodada série C liderada pelo SoftBank Latin America Fund, fundo de US$ 5 bilhões criado pelo conglomerado para a América Latina (entenda como funcionam as rodadas de venture capital).

O SoftBank já apoiou diversas startups brasileiras que acabaram atingindo uma avaliação de mercado bilionária, classificando-se como unicórnios. Alguns exemplos são Creditas, Quinto Andar e MadeiraMadeira.

O valor do aporte não foi divulgado, mas a Contabilizei já havia captado um total de R$ 100 milhões em quatro rodadas de investimento anteriores, envolvendo os fundos: IFC (Banco Mundial), Kaszek, Point72 e Quona.

InfoMoney conversou sobre os próximos passos do negócio com Vitor Torres, fundador da Contabilizei. O negócio tem 500 funcionários, divididos entre Curitiba e São Paulo, e pretende dobrar de tamanho em 2021.

Tudo virou digital – inclusive a contabilidade

É grande o mercado a ser explorado pelos escritórios de contabilidade no país: são mais de 21 milhões de CNPJs ativos, a grande maioria deles de micro e pequenas empresas. A estatística não considera os empreendedores informais, que ainda precisam ser adicionados ao mercado de contabilidade empresarial.

Torres aposta que a internet pode promover escala no atendimento, o que reduz custos ao empreendedor e facilita a adesão aos serviços de contabilidade. A Contabilizei começou a operar em janeiro de 2014. Nesses sete anos, acumulou 30 mil CNPJs ativos em 50 cidades brasileiras. Torres estima que um escritório de contabilidade tradicional atenda entre 80 a 100 clientes regularmente.

“Pense em um mercado similar ao nosso, como o de auditoria. Temos as big four [quatro maiores empresas do setor: EY, PwC, Deloitte e KPMG]. Ainda não temos uma gigante de contabilidade para micro e pequena empresa. É isso que queremos ser.”

A Contabilizei oferece gratuitamente o serviço de abertura de empresa – um grande canal de aquisição de novos empreendedores-usuários. Segundo Torres, o processo custa entre R$ 800 e R$ 1.000 para o tipo de negócio atendido pela startup – donos que não são mais microempreendedores individuais (MEIs), mas que se encaixam nos regimes tributários Simples Nacional e Lucro Presumido.

Os principais clientes, portanto, são micro e pequenas empresas que faturam até R$ 2,5 milhões por ano. Os segmentos mais atendidos são e-commerces e serviços (arquitetos, designers e médicos, por exemplo).

A Contabilizei começa com o atendimento humano, tendo uma equipe própria de contadores e registro no Conselho Federal de Contabilidade. Mas também une os profissionais a processos totalmente digitalizados, como comunicação com órgãos públicos e backup de documentos.

A necessidade de abrir e administrar uma companhia pelo celular ou computador cresceu durante a pandemia do novo coronavírus, diz Torres. “O governo evoluiu muito. O documento escaneado já vale como original para muitos processos, assim como o contador pode reconhecer a assinatura no lugar de um cartório.”

O modelo de monetização da startup é o de software como um serviço (SaaS). A Contabilizei fatura por meio de uma mensalidade, que parte de R$ 89. A maioria dos clientes escolhe o plano intermediário, de R$ 149 mensais, porque ele oferece recursos como horário de atendido estendido e processamento de folhas de pagamento.

Segundo Torres, o usuário economiza de 70% a 90% ao fazer a transição de contador tradicional para o escritório de contabilidade online. Somando também o valor poupado em abertura de empresas, a Contabilizei afirma já ter economizado R$ 650 milhões aos empreendedores atendidos pelo negócio.

Os próximos passos da Contabilizei
Torres diz que um diferencial estratégico de se associar ao SoftBank é a estratégia do conglomerado em investir apenas nos líderes de cada segmento – como as emblemáticas Uber e Didi Chuxing na mobilidade urbana, e como a aposta mais recente na MadeiraMadeira para liderar o e-commerce brasileiro de móveis.

“Nós identificamos três tipos de concorrentes: o contador no escritório tradicional, os softwares de gestão que se associam a contadores e a decisão pela informalidade. O SoftBank analisou todas as teses de negócio em contabilidade e acreditou que a nossa sairia vencedora”, diz o fundador da Contabilizei. “É aquele tipo de fundo de venture capital que analisa em profundidade a indústria e escolhe o player que julga ser o consolidador.”

Torres diz que o fundo ajudará na expansão da startup, trazendo boas práticas internacionais. “Também levamos em consideração que o fundo tem apetite e capacidade financeira para nos acompanhar em captações futuras de investimento”. O fundador diz não se preocupar em alcançar o status de unicórnio, visto nas outras investidas do SoftBank. “Esses marcos são apenas uma consequência do crescimento.”

A Contabilizei dobra de tamanho anualmente. Quanto maior o tamanho de um negócio, mais difícil fica manter altas taxas de crescimento. Porém, a expectativa da startup é manter o mesmo ritmo em 2021. Para isso, a Contabilizei pretende ir além da camada mandatória por lei – que é abrir a empresa e manter a contabilidade em dia.

A startup já integrou uma conta corrente online para pessoa jurídica, com o objetivo de economizar tempo de operação aos empreendedores. A conta permite colocar em débito automático guias de imposto e de pagamento aos funcionários geradas por meio da Contabilizei, por exemplo.

O próximo passo é oferecer serviços como cartão de crédito, sempre por meio de instituições financeiras parceiras da Contabilizei. A grande aposta de Torres: a digitalização dos serviços bancários vista entre os consumidores nesta pandemia também se refletirá na hora de micro e pequenas empresas fazerem suas contas.

FONTE : INFOMONEY

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