Pedro Bial comenta sobre as vítimas de João de Deus: ‘A verdade bateu à nossa porta’

As entrevistas feitas por Pedro Bial com as vítimas de abuso sexual do curandeiro João de Deus chocaram a sociedade na última sexta-feira (7). E a similaridade dos relatos foi o que mais impressionou não só o público, mas o jornalista e a roteirista Camila Appel, responsáveis pela apuração.

“Entrevistamos mulheres de cidades e países diferentes que possuíam histórias assustadoramente semelhantes”, disse Camila sobre os bastidores, em entrevista ao site do “GShow”.

A trajetória de Bial como jornalista foi primordial na execução das entrevistas. “A maioria dos talk shows é apresentada por comediantes, com uma pegada humorística. No ‘Conversa’, também fazemos programas com muito humor, mas não há como não refletir a formação do apresentador. A minha é jornalista. Um programa que procura refletir sobre a realidade e seus fatos não pode deixar de receber a verdade quando ela se apresenta. E a verdade bateu à nossa porta”.

Durante o processo de apuração, muitas vítimas falaram sobre o medo de “retaliação espiritual”. Ainda segundo Camila, outras citaram o poder que o médium teria perante autoridades e políticos locais. “Há casos de vítimas que não conseguem contar nem à própria família. Por medo e por vergonha”, diz Appel.

As três brasileiras que aparecem no programa aceitaram falaram desde que a entrevista fosse em “off” – quando o entrevistado pede para não ter o nome e rosto identificados.
“Nunca tínhamos exibido depoimentos em off e até nos perguntamos se este tipo de assunto cabia no programa”, relembra Fellipe Awi, coordenador de conteúdo da atração.

A gravação do programa foi realizada com uma equipe menor, sem plateia e banda, tanto por sigilo quanto por privacidade das entrevistadas.

Bial e Appel reforçaram ainda que o programa é sobre as mulheres, não sobre João de Deus, a casa de Dom Inácio ou qualquer prática religiosa. “Há, nas vítimas, um grande desejo de que todo esse processo de energia, meditação e força que existe em Abadiânia não vá por água abaixo. Mas não às custas de abusos sexuais contra algumas mulheres”, enfatiza a roteirista Camila.

FONTE : YAHOO BRASIL

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