VOLUNTÁRIAS DOAM SEU TEMPO E TALENTO PARA PRODUÇÃO DE MÁSCARAS E CAPOTES

Por Célia Ribeiro

Com o agravamento da pandemia pelo novo coronavírus, as notícias negativas contribuem para amplificar o clima de desânimo que se instalou na sociedade. No entanto, um grupo muito especial de pessoas tem aproveitado o recolhimento para se sentir útil, doando seu tempo e talento em prol de uma causa nobre: a confecção de máscaras e capotes destinados aos profissionais de saúde.

Maria Amélia Teixeira Ortega é uma delas. Atendendo as recomendações das autoridades sanitárias, ela tem seguido à risca a quarentena; porém, aproveita o tempo para produzir capotes que são utilizados pelos trabalhadores na linha de frente da saúde. “As peças chegam cortadas e eu costuro. O dia passa tão rápido que nem percebo”, comentou, assinalando que se sente recompensada por poder ajudar quem precisa.

Após quase dois meses de recolhimento, muitas pessoas acostumadas a uma vida ativa, seja no trabalho ou outras atividades ligadas às entidades filantrópicas, estão sentindo muito a reclusão. No caso de voluntárias de ONGs, algumas com idades acima dos 60 anos e, portanto, no grupo de risco, a sensação de aprisionamento se torna quase insuportável.

Nelice Rojo, aposentada, artesã e voluntária da ACC (Associação de Combate ao Câncer), teve a ideia de confeccionar máscaras para doação e convidou a amiga, Sueli Félix, docente aposentada da UNESP para a empreitada. “Ela topou na hora”, contou Nelice, afirmando que a produção de máscaras de tecido deu um certo alívio aos dias quase sempre iguais. A dupla doou centenas de máscaras a hospitais, asilos, ONGs etc, até que ela tivesse uma complicação por problemas circulatórios que a impediram de continuar.

A companheira de empreitada, Sueli Félix, deu prosseguimento à produção. Funcionária pública estadual aposentada, ela relutou em divulgar a ação por conta do clima nas redes sociais em que algumas postagens têm criticado ações de solidariedade como se fosse vergonha fazer o bem.

Aliás, esse é um grande problema relatado por muitos que estão à frente de campanhas de apoio a quem sofre os reflexos da pandemia. Ao postarem fotos nas redes sociais, alguns são alvo de críticas. Na verdade, essas ações deveriam estimular outras em uma corrente do bem em que cada um, na medida do possível, ajuda como pode.

Em entrevista ao JM, por telefone, Sueli Félix contou que, inicialmente, pediu às vizinhas no condomínio em que reside para doarem lençóis em bom estado para a produção das primeiras máscaras, já que não tinha como adquirir os tecidos. Assim, conseguiu a matéria prima inicial que resultou na produção e doação de mais de 400 máscaras.

EXPLORAÇÃO

Por incrível que pareça, tem gente explorando a pandemia. A servidora aposentada contou que antes pagava 15 centavos pelo metro de elástico que agora sai por R$ 2,20. Quase 1.500 por cento de aumento, numa demonstração de insensibilidade em um momento aonde as máscaras são essenciais para proteção diante da ameaça do Convid-19.

Sueli Félix falou sobre a sensação de bem estar que essa ação lhe proporciona: “Eu não estou nem sentindo o isolamento. Não sinto os efeitos porque a cada demanda que tenho, a gente se empenha e curte o resultado. Fico imaginando a pessoa na outra ponta que vai usar, que não tem condições de pagar 5 a 10 reais em uma máscara simples. Nunca achei que fosse passar um período desse de forma tão leve”.

Por sua vez, a terapeuta ocupacional  Andreia Rizzo dos Santos, docente do curso de Terapia Ocupacional da UNESP, reuniu um grupo de amigos que tem a solidariedade em comum: em uma verdadeira força tarefa, já foram doados 1.400 máscaras à Polícia Militar além de outras para os servidores da Emdurb que trabalham no cemitério.

Ela explicou que havia procurado Tadau Tachibana, da ONG Amigos do Bar, para doar cestas básicas. Soube, então, da necessidade de máscaras e conversando com amigos reuniu um grupo grande em que cada um contribui um pouco para que as máscaras cheguem a quem precisa.

No próximo dia 10 deverão ser doadas máscaras a algumas famílias carentes da periferia. Para Andreia, a união faz a força: “Uns doam tecidos, elásticos, outros cortam e outros costuram”. Ela agradeceu o apoio do grupo e as doações de matéria prima: “Foi um movimento bonito de solidariedade dos amigos que se prontificaram a ajudar”.

Ela finalizou afirmando que agora “é o momento de um ajudar o outro. Tem que prevalecer o amor de todos nós. Precisamos amar e respeitar o nosso irmão. Se cada um fizer a sua parte, unidos, a gente consegue vencer, cada vez mais, essa doença que é devastadora”.

Fonte: Reportagem publicada na edição de 03.05.2020 do Jornal da Manhã

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